Em sua segunda viagem ao Egito, durante o período de 1876 e 1877, o imperador D. Pedro II, sempre muito interessado pela cultura dos povos antigos daquela região, fez uma troca bastante vantajosa: deu um livro sobre o Brasil para o soberano local, o quediva Ismail, e recebeu, em troca, a múmia de uma cantora-sacerdotisa que entoava hinos sagrados ao deus Amon.

De acordo com artigo publicado pela revista Pesquisa FAPESP, a mulher embalsamada morreu com cerca de 50 anos, por volta de 750 a.C., e se chamava Sha-amun-em-su, nome cujo significado se traduzia como “os campos verdejantes de Amon”.

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D. Pedro II e sua múmia favorita (Fonte: Museu Nacional/Wikipedia)

O caixão que abriga a sacerdotisa nunca foi aberto, porém, exames recentes de tomografia computadorizada revelaram que aqueles que a mumificaram tomaram o cuidado de proteger a garganta daquela mulher com resina, provavelmente por ela cantar em rituais religiosos. Em entrevista para a revista Pesquisa FAPESP, o arqueólogo Antonio Brancaglion Junior também comentou que existem pouquíssimas múmias de cantoras no mundo. Uma dessas está na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, e também possui uma bandagem semelhante na garganta.

Ainda hoje é possível visitar a múmia trocada por D. Pedro II. Para isso, basta visitar o Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

Fonte: Pesquisa FAPESP