Seis anos parece muito pouco tempo para mudanças significativas na sociedade. Mas de acordo com o estrategista e empreendedor Rudy De Wele, muitos setores de nossas vidas serão alterados profundamente, estabelecendo de vez mudanças que já estão em curso.

Autor do livro “Shift 2020”, De Waele conversou com 70 profissionais que trabalham com a futurologia, uma ciência que tenta prever o que a tecnologia poderá nos ofertar daqui alguns anos. Entre essas previsões estão:

1. Novos modelos educacionais

De acordo com o diretor da Singularity University, Salim Ismail, a educação como conhecemos hoje será transformada e passará a ser um serviço sob demanda, onde pessoas poderão estudar módulos específicos dos conhecimentos que elas precisam. Cursos mais abrangentes tendem a acabar, enquanto os específicos se tornarão mais populares.

A diretora do Google Entrepreneurs Europe, Eze Vidra, concorda e alega que as crianças na escola passarão a aprender com módulos pequenos e de conhecimentos específicos. Além disso, o conceito de gameficação, isto é, o uso das ideias e mecânicas dos jogos de vídeogame em outros contextos, estarão cada vez mais presentes nas escolas, incentivando o progresso dos alunos.

Como a tecnologia mudará nosso futuro em 2020

(Fonte da imagem: Idaho National Laboratory/Flickr)

2. Cidades mais inteligentes

Quando se fala de cidades mais inteligentes, não estão sendo considerados apenas sensores, redes de comunicação mais confiáveis e análise extensiva de grande quantidade de dados. As cidades mudarão também as suas formas de existirem.

O cidadão comum passará a participar mais ativamente da entrega de serviços e da economia, ajudando a formar parcerias entre civis, órgãos públicos e empresas privadas. Além disso, as cidades também trabalharão de maneira mais aberta e colaborativa, se unindo para resolver problemas como o trânsito ou mudanças climáticas causadas pela ação da humanidade.

3. “Makers” mais criativos e presentes

O espírito “Faça você mesmo” será mais valorizado no futuro, graças à popularidade do movimento maker. Esse tipo de iniciativa, de construir os próprios objetos e ferramentas, deixará de ser exclusividade daqueles que sempre se consideraram criativos e passará a ser adotado mais amplamente.

De acordo com o editor da revista Wired do Reino Unido, David Rowan, as grandes marcas fabricantes de produtos para o consumidor serão afetadas da mesma forma que a imprensa tradicional foi afetada pelos blogs. Portanto, não estranhe se você passar a se interessar por programação, design e até investir dinheiro em placas Arduino ou impressoras 3D.

4. Saúde personalizada ao nível do DNA

Monitoramento e prevenção serão as palavras de ordem para a saúde. Hoje mesmo é possível encontrar diversos produtos eletrônicos e até aplicativos de celular que auxiliam nessa tarefa. Mas, em um futuro não muito distante, teremos medicamentos personalizados, baseados no DNA do paciente, além de treinamentos e cirurgias conduzidos remotamente.

Medicamento de acordo com o DNA do paciente

(Fonte da imagem: Idaho National Laboratory/Flickr)

5. Fluxo inverso da inovação

No passado, os produtos inovadores eram inventados e produzidos pelos países ricos e, anos depois, adotados pelos países pobres. Porém, a inversão desse fluxo tende a ficar mais marcante no futuro. O fundador da startup E-coach Solutions, Timothy Kotim, acredita, por exemplo, que a África passará a exportar modelos tecnológicos tão logo passe a adotar a tecnologia para solucionar desafios nas áreas da Educação e Saúde.

6. O fim da fronteira entre offline e online

Esqueça a ideia de estar ou não conectado à internet. Com o passar dos anos estaremos conectados o dia todo, principalmente com o uso de produtos como o Google Glass, os relógios inteligentes (como Peeble, Moto 360 etc) e outros dispositivos que usaremos como se fossem apenas mais um acessório fashion.

7. Chega de privacidade

E é claro que, com tanta presença da tecnologia, experimentaremos com mais intensidade os efeitos negativos que ela oferece, como diminuição da privacidade, aumento da vigilância, dependência cada vez maior de dispositivos eletrônicos e diminuição da autonomia humana frente à inteligência artificial.

Fonte: Technotification