Quando um produto deixa de ter consumidores, ele tende a sumir das prateleiras dos mercados. Mas isso nem sempre acontece na natureza. Apesar de os principais “consumidores” selvagens de abacates terem desaparecido milhares de anos atrás, a fruta ainda continua abundante em nosso planeta.

Esse é o assunto tratado pelo livro “The ghosts of evolution” (Os fantasmas da evolução, em tradução livre), escrito pelo biólogo Connie Barlow. A obra se baseia na tese dos renomados ecologistas Dan Janzen e Paul Martin, que em 1982 defenderam a ideia de que muitas frutas e castanhas da América Central se desenvolveram para serem comidas por animais enormes, extintos há muito tempo. Entre essas frutas estão mamões, caquis e abacates.

O raciocínio é simples: as árvores se reproduzem por meio das sementes que as frutas carregam. Porém, normalmente, essas sementes caem muito perto do seu pé de origem e acabam competindo por recursos com suas “mães”. Assim, as frutas se tornaram uma forma atraente de fazer com que animais engolissem essas sementes e, depois, as espalhassem com suas fezes em regiões mais distantes.

Com isso, cientistas acreditam que a semente (caroço) do abacate é grande daquele jeito porque a fruta evoluiu junto com as preguiças-gigantes e os gonfoterídeos, ancestrais do elefante que viveram durante os períodos do mioceno e plioceno. Porém, os abacateiros ainda não “perceberam” que esses animais já não existem na natureza e continuam a produzir grandes frutos.

Abacates deveriam estar extintos

(Fonte da imagem: Sweet Leaf Produce)

Obviamente, os abacates da forma como conhecemos continuarão a existir porque nós, humanos, cultivamos a fruta para nosso próprio consumo. Apesar disso, os abacates tendem a diminuir de tamanho na natureza selvagem ou, então, a seguir o caminho de seus “consumidores” e acabarem extintos.

Fonte: Brain Pickings