A bola Jabulani, usada na Copa do Mundo da FIFA de 2010, na África do Sul, recebeu muitas críticas. Jogadores e – principalmente – goleiros reclamavam muito da imprevisibilidade do trajeto que ela seguia. O goleiro Julio Cesar, da Seleção Brasileira, chegou a compará-la com uma bola qualquer, dessas compradas em supermercados. Para evitar que esse tipo de reclamação ocorra, a fabricante Adidas apostou nos conhecimentos científicos e tecnológicos para produzir uma bola bem mais adequada para a Copa deste ano.

Para superar a performance da Jabulani, Adidas investiu pesado em testes e tecnologia

Para superar a performance da Jabulani, Adidas investiu pesado em testes e tecnologia

Mais estabilidade

A Brazuca, 12ª bola oficial desenvolvida pela Adidas para o campeonato da FIFA, pesa 437 gramas, tem 69 cm de circunferência e possui uma taxa de absorção de água de apenas 0,2%, o que ajuda a manter o peso e formato da bola mesmo durante partidas com muita chuva. Mas não é só isso: a bola teve mudança em sua estrutura e chegou até mesmo a ser testada pela NASA, ganhando bem mais estabilidade no campo.

Brazuca é formada por seis paineis em forma de hélice

Revestimento da Brazuca é formada por seis pedaços em forma de hélice

A estrutura da Brazuca é feita com seis painéis em forma de hélice. Para comparar, a Jabulani possuía 8 painéis, enquanto que a bola da Copa de 2006, Teamgeist, tinha 14. Além disso, esses paineis não são mais costurados, mas termoselados, ou seja, unidos com calor. Esses dois pontos já são suficientes para definir como a bola se movimenta pelo ar. Mas a ciência e a tecnologia da Brazuca não param por aí.

Lances mais previsíveis

Dependendo da velocidade com que uma bola se move com ausência ou pouca rotação, ela é capaz de produzir o efeito knuckling, que faz com que o trajeto dela mude e até mesmo se torne imprevisível. Uma das características que colaboram para o surgimento desse efeito é a rugosidade da superfície da bola. Como as emendas da Brazuca são mais longas e mais profundas do que as da Jabulani, ela acaba sendo mais rugosa e ganhando mais estabilidade. E assim como no caso das bolas de golfe, que são muito rugosas, a maior rugosidade da Brazuca também faz com que ela alcance distâncias maiores.

Mas não é só esse efeito que deve ser contornado: quando a bola gira no ar, acaba surgindo o efeito Magnus, responsável pela famosa curva que alguns chutes são capazes de conceder ao trajeto da bola. Esse efeito é provocado por diferentes pressões que atuam sobre a bola no ar e, portanto, pode variar a intensidade de acordo com a altitude do local em que a partida ocorre: quanto mais alta a região, menos curva.

Já no caso da Brazuca, a rugosidade também ajuda a tornar mais previsível o trajeto do efeito Magnus, fazendo com que a curva seja “positiva”, ou seja, da direita para a esquerda, como aquela falta famosa cobrada por Roberto Carlos na Copa de 1997, contra a França. Caso você  não se lembre ou não tenha visto, está no vídeo acima.

Fonte: Science 2.0, BBC, Daily Mail

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