Noticiários do mundo todo tem reportado uma crescente preocupação com a epidemia de ebola que atinge atualmente a África Ocidental, região que abriga países como Serra Leoa, Libéria, Guiné e Nigéria, todos afetados pelo surto até o momento. Desde março, o vírus do ebola já fez mais de mil vítimas na África e, ontem (12), veio a falecer a primeira vítima europeia, em Madrid, na Espanha.

Até o momento, não há casos de ebola no Brasil e, segundo o ministro da saúde Arthur Chioro, parece muito improvável que a epidemia atinja o país. Mesmo assim, o Brasil declarou nível 2 de emergência para o ebola, o penúltimo na escala de gravidade, reforçando também os protocolos de segurança em portos e aeroportos nacionais, para identificar possíveis sintomas da doença.

Vírus ebola

Vírus do ebola (fonte da imagem: NY Daily News)

O que é ebola?

A febre hemorrágica ebola, ou simplesmente ebola, é uma doença causada pelo vírus do ebola, descoberto em 1976 na República Democrática do Congo e no Sudão. Atualmente, são conhecidas cinco espécies desse vírus, sendo que quatro delas causam a temida febre hemorrágica, capaz de provocar a morte de 50% a 90% das pessoas infectadas, em períodos de surto.

Não se sabe ao certo a origem do vírus, mas o primeiros casos de ebola foram identificados em uma fábrica de algodão que servia de abrigo para muitos morcegos. Em testes posteriores realizados com diversas espécies de animais e plantas, apenas morcegos foram infectados com ebola, o que levou a comunidade científica a assumir que três espécies específicas de morcegos-da-fruta,  Hypsignathus monstrosusEpomops franqueti e Myonycteris torquata, servem como hospedeiros desses vírus.

Formas de transmissão

Acredita-se que o ciclo de transmissão do ebola se deve ao contato de humanos com gorilas ou outros primatas que chegaram a ingerir frutas contaminadas, mordidas por morcegos. Porcos-espinhos e antílopes também estão na lista de animais que podem espalhar a doença.

Entre os humanos, a transmissão se dá, principalmente, pelo contato com fluidos corporais, como sangue, saliva, urina e sêmen, além das fezes. Mas não é só: objetos contaminados, como agulhas e roupas de cama, também podem transmitir o vírus, que infecta a vítima pela mucosa (boca, olhos, nariz) ou por meio de feridas.

Felizmente, o ebola não é transmitido pelo ar, como o vírus da gripe, pela água ou por alimentos.

(Fonte da imagem: Wild Wings Safaris)

Agente de saúde também acabam se contaminando com ebola (Fonte da imagem: Wild Wings Safaris)

Principais sintomas

Os primeiros sintomas de ebola são febre repentina, fraqueza, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Com o passar do tempo, a pessoa infectada começa a ter diarreia, vômito, manchas vermelhas na pele, problemas nas funções dos rins e do fígado e, em alguns casos, sangramentos interno e externo.

Após a infecção, os sintomas podem levar de 2 a 21 dias para aparecerem, sendo que o mais comum é que comecem a se manifestar depois de 8 ou 10 dias após o contato com o vírus.

Como é o tratamento de ebola?

Infelizmente, não existe muito o que possa ser feito pelas vítimas de ebola. O tratamento atual consiste apenas em manter o paciente muito bem hidratado e com a pressão arterial estável. Além disso, é preciso manter o nível de oxigênio e tratar qualquer infecção oportunista que possa surgir durante os dias de enfermidade. Ainda não existem vacinas ou remédios licenciados para ebola, mas há pesquisa constante e alguns desses possíveis tratamentos já começam a ser testados.

Uma das razões que dificulta o avanço para uma solução do ebola é puramente comercial: por atingir majoritariamente apenas comunidades pobres, a indústria farmacêutica reduz as verbas de pesquisas para esse tipo de ameaça, visto que dificilmente conseguiria transformar o medicamento em um produto de sucesso. Em entrevista pra o Estadão, o médico liberiano Melvin Korkor, que se recupera de uma infecção por ebola, chegou a ser muito direto: “Não existe solução para a epidemia porque ela só mata africanos”.

Mesmo assim, existem outras formas de incentivar a pesquisa, como oferecendo prêmios para instituições ou indivíduos que encontrem tratamentos mais eficazes. Mas, por enquanto, a solução para essa doença ainda permanece um desafio para o mundo todo.

Pior que o ebola

Além das mais de mil vítimas e das dificuldades de incentivo à pesquisa, a epidemia tem tornado aparente pensamentos assustadores e preconceituosos. No Brasil, houve boatos de que imigrantes haitianos estavam contaminados com o vírus e espalhando a doença no Acre. Tudo já foi desmentido pelo Secretária de Saúde do Acre, Suely Melo. Enquanto isso, na França, Jean-Marie Le Pen, fundador do partido político de extrema direita Frente Nacional, declarou recentemente que o ebola pode ser a solução para o que ele considera como dois problemas atuais: o aumento da população global e a questão de imigrantes em solo francês.

Famoso por suas declarações polêmicas, Le Pen foi acusado muitas vezes de xenofobia e misoginia. O fundador do partido também já foi multado em mais de 10 mil euros por incentivar o ódio contra muçulmanos e declarou que é a favor do isolamento de pessoas infectadas com o HIV. Mais assustador ainda é o fato de que pesquisas recentes demonstraram que o partido de Le Pen tem de 23% a 25% das intenções de votos na França.

 

Fonte: NatureScienceDirect, BostonGlobe, NY Daily News, The GuardianG1, R7, Estadão, The Guardian, Boatos.org

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