Você pode dizer que isto é azul, mas engana-se ao pensar que é um simples azul. Chamado de International Klein Blue, ou IKB, este tom específico foi inventado pelo artista francês Yves Klein, na década de 40. O pigmento é originalmente derivado do Ultramarine, pó de uma pedra semi-preciosa chamada Lapis Iazuli, e representa para o artista a síntese dos conceitos buscados em sua arte.

Considerado por muitos críticos como “o último artista francês de impacto mundial”, Yves Klein não devotou sua obra ao azul IKB até a década de 60, quando a cor tornou-se seu foco principal. Além de quadros marcantes que fazem uso da IKB, o artista teve como obra-mestre o evento que aconteceu em março de 1960, durante a abertura da Anthropometries, em Paris.

Azul Ives Klein

Imagem: Samuel Kubani

Na ocasião, ele apareceu vestindo terno e gravata borboleta enquanto nove músicos tocavam a Monotone-Silence Symphony, uma música que consiste na mesma nota tocada por 20 minutos, seguida de 20 minutos do mais profundo silêncio. Em seguida, ele trouxe três modelos completamente nuas, cobertas apenas com a tinta azul IKB, e as guiou enquanto elas imprimiam seus corpos de tinta em uma tela branca, como pincéis vivos.

Azul Ives Klein

Imagem: Thomas Lohnes

O azul e a obra do artista

Para alguns historiadores, o azul simboliza a passagem por uma abstração furiosa, fruto da Segunda Guerra. Já para outros, o IKB é a obsessão pelo raso, em uma alusão filosófica à era nuclear. Uma terceira tentativa de entender a cor é resgatar o passado católico do artista, em que a cor remete a deus e à eternidade, ou simplesmente refletir sobre o que o próprio Yves Klein um dia disse: “em um primeiro momento há o nada, e então há um profundo nada e, depois disso, uma profundidade azul”.

Azul Ives Klein

Imagem: Olivier Leban-Mattei

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