Forjar obras de arte é um crime que movimenta milhões de dólares anualmente. Perfeitas, muitas réplicas de quadros famosos se passam facilmente por originais. Contudo, por mais caprichosos que sejam, os falsificadores estão sendo desmascarados por alguns especialistas em arte, que utilizam um método de validação de obras que foi desenvolvido com base nas bombas atômicas lançadas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, em 1945.

As bombas, que explodiram em julho de 1945, foram algumas das primeiras bombas atômicas a serem detonadas na história (testes já haviam sido feitos). Com elas, surgiram alguns novos isótopos, como o estrôncio-90 e o césio-137, que antes disso simplesmente não existiam na natureza. Ao serem criados a partir da explosão termonuclear, eles foram disseminados na natureza e não raro podem ser encontrados em quadros pintados a partir dessa data.

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The Basin at Argenteuil. Original de Monet (esq.) e réplica de Spencer Finch (dir.)

Real ou fake?

Usando um espectômetro e um pequeno pedaço de pintura extraída de quadros (cerca de 1 milímetro quadrado), a curadora de arte Dr. Elena Basner, junto a um grupo de cientistas, consegue identificar na mistura da tinta a presença dos isótopos mencionados. Sendo assim, é possível saber se uma obra foi pintada antes ou depois de 1945 – descobrindo, por exemplo, se um quadro de The Basin at Argenteuil, pintado em 1872 por Monet, é verdadeiro ou não.

Vale lembrar que a ausência dos isótopos no quadro não marca o verdadeiro. Porém, a presença do estrôncio-90 ou do césio-137 o prova falso, caso saiba-se que o original tenha sido pintado antes da detonação da bomba.

Fonte: Physics World