É réveillon e, para celebrar a chegada do ano novo, muitas garrafas de champanhe serão abertas durante a virada. Durante a festa, pode ser que poucos se importem com as bolhas da bebida na taça, mas saiba que elas são essenciais para que você perceba o aroma e o sabor do champanhe.

O componente químico básico para o surgimento das bolhas é o gás carbônico, originado a partir do processo de fermentação. Aliás, se tem algo que distingue o champanhe de outros vinhos é o fato de que ele passa por dois processos de fermentação: o primeiro acontece antes do engarrafamento, enquanto que o segundo ocorre dentro da garrafa. É a segunda fermentação que cria o gás carbônico e o etanol, dando o toque final ao champanhe.

Em média, uma garrafa de 750 gramas de champanhe contém 7,5 gramas de gás carbônico dissolvido. Apesar de parecer pouco, cerca de 5 litros de gás carbônico são liberados caso você deixe a bebida repousar e as bolhas subirem até se esgotarem. A cada 0,1 litro de champanhe, surgem cerca de 20 milhões de bolhas de gás carbônico.

Formação e importância das bolhas

Ao comerem açúcar, as leveduras responsáveis pelo processo de fermentação produzem álcool e liberam gás carbônico, responsável pelas pequenas bolhas da champanhe. Porém, a maior parte das bolhas de uma taça são formadas por causa de impurezas, como minúsculas fibras de celulose que se agarram às taças, vindas do ar ou de toalhas usadas para secá-las.

Champagne (1)

Essas fibras têm a forma de uma flauta, ou seja, cilindros ocos com uma abertura. Os gás carbônico então atravessa essas minúsculas câmeras e escapa em forma de bolha. No passado, era costume riscar as taças para aumentar o número de bolhas. Hoje, pesquisadores acreditam que os riscos facilitavam a aderência dessas fibras e, por isso, tornava o visual do champanhe mais atraente.

Além de todo o apelo estético, as bolhas também influenciam na degustação da bebida, visto que levam para a superfície da taça alguns compostos do vinho, liberando-os no ar.

Cientistas analisaram e classificaram centenas de compostos como esses. Alguns exemplos são:

  • gama-decatalctona: aroma de frutas, em especial o de pêssego;
  • metil dihidrojasmonato: aroma doce, frutado ou de flores;
  • ácido dodecanóico: notas secas e metálicas;
  • ácido decanóico: aroma ácido e torrado;
  • dihidrovomifoliol: contribui para o aroma frutado;
  • etil miristato: aroma doce e um pouco parafinado;
  • ácido palmítico: aroma de creme e cera; e
  • ácido palmitoleico: aroma oleoso e de cera.

Essa é apenas uma pequena seleção dos inúmeros compostos presentes no champanhe e que, com a ajuda das bolhas, ajudam a proporcionar uma verdadeira festa multissensorial durante as comemorações.

Fontes: Folha, Compound Interest

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