O ano começou com uma boa notícia: em 7 de janeiro foi anunciada a descoberta de um novo antibiótico, o primeiro dos últimos 30 anos. O feito histórico foi conduzido por pesquisadores de Boston, EUA, que conseguiram isolar o composto Teixobactin a partir de micróbios que vivem no solo.

Mas não é só isso: a descoberta também representa uma mudança de paradigma na produção desse tipo de medicamento, visto que o isolamento do composto químico foi realizado com uma técnica inédita.

Mycobacterium tuberculous

Mycobacterium tuberculous

Até o momento, cientistas acreditavam que o solo estava repleto de antibióticos potentes e ainda não explorados. Porém, 99% desses micróbios não sobrevivem em laboratórios, o que impossibilitava avanços na descoberta de novas drogas naturais para salvar vidas.

O que os pesquisadores norte-americanos desenvolveram foi a possibilidade de cultivar esses micróbios no solo e, com a ajuda de um chip eletrônico, isolar o composto químico do antibiótico para pesquisas. Com isso, pode ser que uma nova leva de medicamentos chegue às farmácias nas próximas décadas.

Chip usado para descoberta do novo antibiótico (Fonte: Slava Epstein/Northeastern University)

Chip usado para descoberta do novo antibiótico (Fonte: Slava Epstein/Northeastern University)

Até o momento, o Teixobactin foi testado em bactérias que provocam doenças como a colite pseudomembranosa (Clostridium difficile), tuberculose (Mycobacterium tuberculosis) e até mesmo pneumonia e meningite (Staphylococcus aureus), mostrando-se altamente eficaz.

Descoberta pode abrir caminho para a produção de novas drogas

Descoberta pode abrir caminho para a produção de novas drogas

Outra novidade em relação ao Teixobactin é que ele atua diretamente na parede celular das bactérias, evitando que elas possam se reproduzir e, possivelmente, desenvolver novas formas de resistência ao medicamento. Apesar de ainda ser muito cedo para afirmar, estima-se que as bactérias levem pelo menos 30 anos para se tornarem resistentes ao Teixobactin.

Seja como for, pode levar de 5 a 6 anos e pelo menos cem milhões de dólares em pesquisas para que o novo medicamente chegue às farmácias.

Fonte: Nature, Forbes, The Telegraph

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